Caros Leitores,

Em mais um fim de semana isolado em casa, percorrendo os títulos da minha televisão por assinatura, me deparei com o recém-lançado filme Druk.

Conta a história de quatro professores na Dinamarca, numa crise de meia-idade, que resolvem testar a inusitada teoria do psiquiatra Finn Skarderud.

Segundo o psiquiatra, nascemos com um déficit de 0,05% de álcool no corpo, portanto, para ser felizes e produtivos deveríamos ingerir álcool constantemente, mantendo este percentual no organismo.

Com o humor adequado, o enredo mostra uma sociedade ansiosa e apática. Adultos consumidos pelo trabalho e pela criação dos filhos. Jovens desconectados da sala de aula, presos em seus celulares, estressados pelas provas e testes cada vez mais rígidos.

A teoria inicialmente parece funcionar, os professores inebriados tornam-se mais relaxados, espontâneos e criativos. Mas, como era de se esperar os efeitos colaterais começam a surgir, como o alcoolismo. E as consequências tornam-se cada vez mais dramáticas.

Longe de ser uma apologia ao álcool ou buscar o moralismo, o filme retrata o abatimento mental dos nossos tempos, mesmo num país altamente desenvolvido como na Dinamarca.

Os números em nossa terra tropical também demonstram o crescimento da depressão, das crises de ansiedade e a correlação com o aumento do uso de bebidas, entorpecentes e tarjas pretas. Um mero escape para um problema profundo.

O filme não diz o caminho da felicidade (eu também, jamais arriscaria). Acredito que toda inovação traz consigo prós e contras. O imediatismo, o uso exagerado das redes sociais, a solidão dos conectados, são exemplos dos contras de um mundo digitalizado.

A solução não estará numa garrafa, mas sim numa sociedade que cuide da saúde mental com a mesma intensidade que investe em sistemas e aplicativos. Precisaremos de empresas que além de criar metas, também saibam acolher.

Excelente semana a todos,

Abs.

Lucas M

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